O Alasca é aqui



imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Setubinha

Eu dizia ao me deparar com a história de vida de Edie Sedgwick o quanto precisava ser mais autêntica e o quanto tinha necessidade de redescobrir meus sonhos. Estava saudosa da minha ingenuidade e queria muito fazer algo por mim. Acordei assim na quarta passada repetindo como um mantra uma frase vaga: “Preciso fazer acontecer. O quê, não sei”. Sendo assim não há mistério no fato d’eu dizer sim à proposta de um amigo: “Quer dar uma oficina de bijuteria no Vale do Mucuri?”. Nem sabia onde ficava isso. “Vinte dias? Eu vou amar!”. E já fui me sentindo Guimarães Rosa.

Eu sei, Grande Sertões Veredas se passa mais ao norte de Minas Gerais, sul da Bahia e Goiás. E o Vale do Mucuri, mais especificamente Setubinha, para onde vou, fica mais ao nordeste do estado. Mas microrregião de Teófilo Otoni sertão é. Então foda-se, careço de referências para me reinventar. Nem tão do nada consigo recomeçar meu sertão, já basta a cidadezinha ter mais ou menos 1500 habitantes.

Primeiro fiquei frenética ante a possibilidade de ir num lugar tão inusitado para mim. Mas agora, que falta uma semana para a minha partida, experimento certa dose de medo. Primeiro profissional. Imagine, faz muito tempo que não coordeno um grupo. Acabei de fazer a primeira parte da apostila de noções sobre moda, artesanato e criatividade, acho que ficou ótima, mas não conseguir imaginar como são essas pessoas me dá um frio na barriga. Depois tenho medo de não me hospedarem num lugar legal, que eu tenha que conviver com bichinhos ou, o que é pior, gente má. Tem também a grande novidade, só revelada nesta sexta: Tenho que adequar meu conteúdo em 100h. Imagine! É muita raça de tempo! Tenho medo de entediar as meninas e me sentir fracassada. E por fim esta questão do tempo, cinco horas diárias dão um mês de Mucuri‼! É muito tempo para mim, ir para tão longe, cheia de coisas aqui, perder Guarapari com Mamis (nós duas planejamos tanto fazer uma coisa só nós)…

Mas são medinhos, coisas que preciso considerar como bobas. Porque até agora tudo parece estar dando tão certo! Mudei também o plano inicial: Tinha resolvido correr aqui com a montagem do curso para passar em Belo Horizonte e fazer a compra do material lá. Contudo, descobri que esta possibilidade é inviável. Tenho que estar em Setubinha daqui há uma semana e ia perder muito tempo. Preciso me virar por aqui mesmo e pensar que sou a Marin Frist, de Men in Trees, minha série de TV predileta na atualidade. Eu sei, lá não é o Alasca. Eu sei, não há fartura de homens sensíveis. Mas ter no currículo um coração partido e ter a incrível missão de levar Chanel, Schiaparelli, Dior, Balenciaga, Courrèges e Laurent pro meio do nada nos faz um pouco parecidas.